Como um maestro, autor conduz as entrevistas de 11 nomes que fazem parte da história da curadoria mundialA curadoria e a arte contemporânea podem ser consideradas como irmãs siamesas. Ambas nascem no século XX, sendo a curadoria, pelo menos como se apresenta na contemporaneidade, o resultado de uma especialização do mercado de arte.
Ênfase na obra de Duchamp: o "pai dos ready made", odiava obras originais com preços competitivos, como ressalta o curador HulténUma trajetória recente, porém, fascinante. É assim que a curadoria constrói sua história, conforme impressões de um dos mais festejados curadores, o suíço Hans Ulrich Obrist, no livro "Uma breve história da curadoria" (297 páginas, tradução de Ana Resende, Bei Comunicação).
Em texto claro, informativo, o autor demonstra sua admiração aos "mestres", como a alemã Anne d´Harnoncourt; o norte-americano Walter Hopps; o sueco Pontus Hultén; e o suíço Harald Szeemann, entre outros pioneiros da curadoria mundial. Assim, realiza um verdadeiro passeio pela história dessa atividade.
O papel do curador nem sempre foi bem definido. Segundo aqueles que deram os primeiros passos abrindo caminhos e veredas para sua concretização, a atividade exigia flexibilidade, como ressaltava o suíço Harald Szeemann (1933-2005), um dos primeiros a se autodenominar "organizador de exposições", como declarou no fim dos anos 1960.
Através das bem-traçadas linhas de Hans Obrist, o leitor percebe que a curadoria aparece no bojo de outras profissões relacionadas à arte: crítico de arte, negociante ou diretor de museu. É nesse contexto que o tema é analisado.
Hans Obrist passa em revista a curadoria, atividade que, até hoje, é pouco compreendida pela maior parte da população. Muitas vezes, as pessoas questionam sobre qual é realmente o papel do curador.
Muitos artistas viraram curadores e vice-versa. Porém, num ponto a atividade converge: a relação que os profissionais devem ter com a arte. Organizar ou fazer a curadoria de uma exposição é uma tarefa para poucos, uma vez que pede "olhar a arte e pensar sua relação com o mundo".
Não se trata apenas de dispor obras, mas passa pelo cuidado com a iluminação, envolvendo até a colocação do pregos nas paredes. Além da confecção de catálogos, montagem e, o que é mais importante, fazer com que as obras dialoguem com o público em museus, galerias e até ao ar livre.