Estudante foi confundida com homônima e eliminada por engano do exame.
Mercadante ligou para mãe de aluna, mas família quer retratação formal.
Estudante postou a foto do cartão de respostas
do Enem e homônima foi desclassificada
(Foto: Reprodução)
O advogado da família de Jacqueline Chen, de 16 anos, que foi expulsa da sala de provas e
eliminada por engano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Evaristo Araújo, disse em entrevista ao
G1
que a adolescente ficou em estado de choque quando foi retirada da sala
de aula no domingo (5). O Ministério da Educação divulgou uma nota
nesta quinta-feira (8) admitindo o erro ao confundi-la com outra
candidata com o mesmo nome que teria postado na internet foto tirada de
dentro da sala de provas.
"Os fiscais falaram que estavam cumprindo uma ordem de Brasília, que
ela estava sendo eliminada por postar uma foto na internet. Jacqueline
ficou isolada em uma sala por três horas sem nem poder ligar para mãe.
Foi uma atitude totalmente arbitrária", afirma Araújo. Ele disse que a
garota ainda teve de assinar um termo, mas não ficou com uma cópia.
Segundo o advogado, ao entrar na sala de aula, Jacqueline tirou a
bateria do celular, e ficou sem entender o motivo da sua eliminação.
Em nota, o Ministério da Educação diz que quem teria tirado a foto foi
outra estudante, Jacqueline Tchia Lin Chen, de Mogi das Cruzes. O
ministro da Educação, Aloizio Mercadante, telefonou para mãe de
Jacqueline se desculpou pelo erro e informou que a garota poderá fazer
novamente o Enem nos dias 4 e 5 de dezembro, quando as provas serão
aplicadas nas unidades prisionais. Já a candidata homônima foi
desclassificada, segundo o MEC.
O advogado Araújo diz que Jacqueline tem interesse em refazer o Enem,
mas a nova data não pode coincidir com o calendário de vestibulares.
Jacqueline quer estudar arquitetura e vai disputar vagas em várias
universidades de São Paulo. "Ela é uma boa aluna, nunca teve histórico
de recuperação e vinha se preparando o ano todo focada para o Enem e os
vestibulares. Agora está assustada com a repercussão", diz o advogado.
Jacqueline cursa o terceiro ano do ensino médio no Colégio Dante
Alighieri, em São Paulo. A família ainda não decidiu se vai processar o
Ministério da Educação. Primeiro eles querem uma retratação oficial, por
escrito, explicando os motivos do erro e respondendo dúvidas como se
Jacqueline terá de refazer as duas provas do Enem, já que no sábado, ela
conseguiu concluir o exame. Só depois disso, a família vai avaliar a
reparação do dano. Segundo o advogado, cabe uma ação de danos morais e
difamação contra o governo.
Confira a íntegra da nota do Ministério da Educação:
"Com relação ao incidente envolvendo as candidatas Jacqueline Meei Jy
Chen e Jacqueline Tchia Lin Chen, o Ministério da Educação esclarece:
1. A candidata Jacqueline Tchia Lin Chen postou imagens a partir da sala de exames no sábado.
2. A rede de monitoramento do Ministério da Educação/INEP identificou corretamente a candidata.
3. O consórcio aplicador, entretanto, confundiu-se com uma homônima de
nome Jacqueline Meei Jy Chen, que prestava o exame em outro local.
4. No sábado, entretanto, quando os aplicadores buscaram por Jacqueline Meei Jy Chen, ela já havia entregado a prova.
5. No domingo, ela foi excluída indevidamente do exame.
6. Constatado o equivoco, o Ministério da Educação e o INEP oferecem a
possibilidade a Jacqueline Meei Jy Chen de realizar nova prova.
7. A prova da candidata Jacqueline Tchia Lin Chen foi excluída."
65 candidatos excluídosNos dois dias de Enem, 65
candidatos foram excluídos do postar fotos da prova na internet. O
edital do exame afirma, no artigo 12.5, que "o participante deverá
guardar,
antes do início das provas, em embalagem
porta-objetos fornecida pelo aplicado, telefone celular desligado,
quaisquer outros equipamentos eletrônicos desligados e outros objetos,
como os relacionados nos itens 12.3.2 [como lápis, canetas de cores que
não a preta, calculadoras, relógios, tablets, entre outros] e 12.3.3
[óculos escuros e artigos de chapelaria], sob pena de eliminação do
exame". Isso quer dizer que, ao receber o material da prova --incluisive
o cartão-resposta--, o smartphone de todos os candidatos já deveria
estar desligado e guardado.
Ao tirar a foto e enviá-la a sites públicos da internet, onde o
conteúdo é livremente compartilhado, os candidatos que não respeitaram o
edital acabaram produzindo provas contra si mesmos. Uma simples busca
pela palavra "Enem" em algumas redes sociais foi suficiente para
encontrar mais de 20 fotos proibidas pelo MEC no sábado (3), primeiro
dia de provas. No domingo, outros candidatos repetiram o erro.
Fotos de cartões de respostas do Enem foram postadas no sábado (Foto: Reprodução).fonte:g1 sp/camocim belo mar blog