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terça-feira, 27 de maio de 2014

HISTÓRIA BACANA DE ROBERTO CARLOS NO LP DE SAN REMO 1968.


San Remo 1968 - 1976

Desde 1961, quando pela primeira vez entrou nos estúdios da CBS para gravar o histórico LP “Louco Por Você”, a carreira de Roberto Carlos foi uma sucessão de conquistas, conseguida com muito trabalho e principalmente com muita vontade de vencer. Desde o inicio, imitando João Gilberto e Elvis Presley, interpretando versões, percorrendo corredores das rádios, indo a shows longínquos de ônibus, trem etc, cantando muitas vezes de graça em circos, em caravanas de artistas novos, Roberto pode ser apontado como um autêntico exemplo para o artista que agora se inicia na carreira: ele passou por todos os caminhos, disputou com tenacidade mas com muita fé o seu lugarzinho ao sol, assimilou e apreendeu o máximo daquela fase inicial de incertezas, mas indispensável à formação musical de qualquer grande artista. De acordo com vários companheiros da época, Roberto sabia o que estava fazendo, confiava muito em si próprio, com personalidade, e principalmente com um magnetismo pessoal já marcante, suportou aquele período incerto com paciência e com a certeza interior de que “iria acontecer um dia”.

O sucesso veio definitivamente com a versão de “Splish Splash” feita por Erasmo Carlos — começava naquele momento também uma parceria famosa, agora com mais de trezentas músicas de bagagem. A bola de neve continuou aumentando: vieram “Parei na Contramão” e “Calhambeque”, marcando o êxito definitivo e o primeiro troféu Roquette Pinto, como cantor revelação do ano. Depois veio a TV Record e o programa Jovem-Guarda, com Roberto comandando o espetáculo — nascia ali o maior movimento de música jovem autêntico já nascido no Brasil: Roberto mudou a maneira de vestir, de pentear o cabelo, de falar da juventude daquela época: Roberto aí já era uma imagem nacional, um símbolo imitado, um foco de influência positiva, sadia; adorado, imitado, por toda uma geração.

“Quero Que Vá Tudo Pro Inferno” foi um marco importante na carreira de Roberto — o cantor jovem atingia com a força dos seus versos a todas as faixas: do pobre ao mais sofisticado, todos até hoje cantam aquela que foi realmente transformada em hino de toda uma geração. “Quero que vá tudo pro inferno” consagrou RC definitivamente, naquele ano ele recebia o Troféu Disco de Ouro, prêmio máximo do mundo do disco rio país. Em 65, 66 e 67 ganha o Troféu Roquette Pinto, participa do mesmo ano em Cannes do Festival de música daquela cidade — recebe então o Troféu Midem, o primeiro troféu internacional de sua carreira. Em 68 conquista a Europa ao ganhar o primeiro prêmio do Festival de San Remo, interpretando “Canzone Par Te” de Sergio Endrigo, representando o Brasil (foi a primeira vez na história daquele festival que um artista estrangeiro ganhava o primeiro prêmio).

Começaram então os filmes, mais viagens ao exterior, as primeiras gravações em espanhol, a conquista do difícil mercado latino-americano (na Argentina é considerado como o maior vendedor de discos, sobrepujando com larga diferença os ídolos locais): cantando em castelhano ou em italiano, a comunicação é sempre a mesma: total, vibrante, dentro de um estilo personalissimo! Nos três shows do Canecâo (com casa lotada diariamente), Roberto começou a mostrar que pode igualmente cantar em inglês com a mesma força interpretativa: canções dos áureos tempos do rock and roll, até a difícil “McArthur’s Park” são facilmente assimiladas e transmitidas por esse talento incomparável — recentemente no Madison Square Garden para uma platéia de milhares de latino- americanos e novaiorquinos, Roberto sentiu de perto todo o calor da sua enorme popularidade: aplaudido de pé, ovacionado já, merecidamente como um dos grandes fenômenos da comunicação dos nossos dias.

Já são quinze anos de carreira, mais de uma dezena de elepês editados: em italiano, castelhano e naturalmente em português; é uma bagagem musical de quase uma centena de compactos duplos e simples espalhados pelo mundo — da inocência do “Brucutu”, da juventude do “Calhambeque”... das letras mais fortes e intimistas, como a genial “Detalhes” e “As Flores Do Jardim De Nossa Casa”, Roberto consegue dentro da sua eterna humildade, ser o cantor de todas as camadas, de atingir fundo com o lirismo da sua voz a moços e velhos: um talento completo!

Os discos de Roberto, os novos e agora principalmente os antigos, crescem de importância, e são avidamente disputados pelos seus fãs sequiosos em completar a coleção. Muitas das músicas foram editadas na série “As 14 Mais” e saíram de catálogo, outras colocadas simplesmente em compactos confundiram-se com os elepês de fim de ano ou foram esquecidas nos lados B das gravações de maior força popular... Na verdade, sem essas músicas, todas altamente significativas e muito bem gravadas, a história discográfica de Roberto Carlos não estaria completa — nenhuma delas foi transformada em disco de maneira superficial; como sempre, Roberto teve um motivo forte para gravar cada uma: foi assim que ele sempre dirigiu o seu trabalho, com amor, carinho, conhecendo enfim cada um dos autores das músicas que interpreta: elas fazem parte do passado musical de Roberto, merecem como agora lugar de destaque num mesmo disco, enumeradas pela primeira vez num mesmo elepê — elas não são antigas nem novas, são e serão eternas e pra cada uma delas Roberto tem uma lembrança, uma justificativa para lembrá-las, uma palavra de carinho, e como sempre com muita emoção e sinceridade: é ele quem as recorda agora:

Canzone Per Te, que abre o disco, “é uma das músicas mais importantes na minha carreira, porque ela representou um momento muito especial para mim, que foi o Festival de San Remo — “Canzone Par Te”, de Sergio Endrigo, foi realmente uma coisa muito importante na minha vida”.

A respeito de Eu Daria Minha Vida, Roberto assim a relembrou: - “Na época da Jovem Guarda apareceu uma menina, com uma vozinha doce e que se chamava Martinha, e não sei por que numa brincadeira nós chamamos a Martinha de “Queijinho de Minas”, e engraçado é que o público e a própria Martinha assumiram isso, falamos o apelido no ar e ficou “Queijinho de Minas” para Martinha... — Logo que ela gravou o disquinho dela, ela fez uma música intiulada “Eu Daria Minha Vida” e eu gravei — inclusive essa música foi muito bem não só no Brasil mas também no exterior — eu a gravei também em castelhano”.

Maria, Carnaval e Cinzas foi do Festival da Record e foi escrita por Luiz Carlos Paraná, inclusive já falecido.., ele me levou essa música e ela se adaptou ao meu estilo, e eu a defendi no Festival”.

Luiz Fabiano escreveu Você Me Pediu — música que Roberto ouviu, gostou e imediatamente gravou — música simples bem ao gosto da época.

Com Muito Amor E Carinho, de Eduardo Araújo e Chil Deberto, é outra canção bastante romântica, mas que na época foi totalmente abafada pela força de execução nas rádios de “Eu Te Amo, Eu Te Amo” colocado no lado A do disco. Gravada em 1968, ela foi lançada no Vol. XXI da série “As 14 Mais” — é uma canção atual no seu tema e nela a voz de Roberto rende admiravelmente.

De acordo com Roberto, Sonho Lindo é uma das canções mais bonitas por ele gravada, e uma das canções que mais dá margem ao cantor de tirar partido da interpretação; é, segundo RC: - “uma das músicas mais bonitas do meu repertório”.

Un Gatto Nel Blu marcou a volta de Roberto Carlos ao Festival de San Remo — interessante é que no Festival propriamente ela não aconteceu, mas posteriormente estourou em todos os lugares onde foi lançada: na Espanha principalmente e em toda a América do Sul. “Un Gatto Nel BIu” não venceu o Festival, mas nos países em que foi lançada, teve uma reação fantástica.

O Show Já Terminou, da dupla Roberto e Erasmo, esconde uma historinha particular só agora revelada por RC: - “Eu sou fã incondicional de Tony Bennett — quando eu fiz essa música, eu já imaginei inclusive a versão dela em inglês com o Tony Bennett cantando.., e comecei a fazer a música especialmente para ele — é lógico que depois eu a cantei do meu jeito... mas ela começou de uma idéia pensada na voz de Tony, que é na minha opinião o maior cantor do mundo”.

Um dos clássicos do nosso cancioneiro, Ai Que Saudades Da Amélia, recebeu na voz de Roberto uma interpretação ímpar, que muitos críticos dizem ter sido a definitiva... — “A primeira vez que eu cantei essa música, foi no programa da Elizete Cardoso, e imediatamente senti que podia gravá-la, porque dava bem dentro do meu estilo.., interessante, uma música que não era o gênero que eu cantava na época, mas que eu me identificava terrivelmente com ela... isso foi muito bom pra mim, porque através de “Ai Que Saudades Da Amélia” eu pude mostrar que eu também cantava outras músicas, outras coisas diferentes das da Jovem Guarda... — Essa gravação igualmente me abriu a visão para outras músicas do gênero.., como depois veio, por ex., “A Deusa Da Minha Rua”.

Custe O Que Custar de Edson Ribeiro e Hélio Justo não foi propriamente um estouro de vendas mas, segundo Roberto, “foi uma música que tocou muito em rádio por muito tempo sem cansar — os autores foram realmente muito felizes”.

Para Eu Amo Demais, Roberto sorriu apenas e cantarolou a primeira parte, dizendo: - “É muito bonita, valendo para ela o mesmo comentário da música anterior”.

Na lembrança de Eu Disse Adeus, Roberto recordou como fez com Erasmo essa música, como a inspiração, partindo de uma simples palavra, se transformou numa canção de letra triste, mas profundamente simples e de rara beleza: - “Eu Disse Adeus” é uma música de fossa incrível... “talvez de um estado de espirito tenha surgido a frase.., mas na realidade essa música representa um estado de espírito mas não a realidade de um momento — eu estava triste, imaginei aquela frase e continuei imaginando a situação de quem estivesse dizendo realmente adeus ou quem havia dito adeus... a música nasceu assim, inclusive eu me lembro que ela começou na casa do Erasmo; eu estava na casa dele aguardando que ele chegasse quando ela nasceu... — depois, ao invés de continuarmos a música que tínhamos começado, que era “Se você pensa”, acabamos trabalhando a nova que surgia... terminamos no mesmo dia “Se Você Pensa” e somente dois dias depois é que voltamos a trabalhar na “Eu Disse Adeus”, terminando-a definitivamente”.

Essas são as músicas do disco que agora Discos CBS apresenta aos fãs de Roberto é acima de tudo um documento importante, um retrato fiel de uma fase notável da vida desse genial intérprete é uma oportunidade rara de ter todos os compactos juntos no mesmo disco e diretamente uma homenagem ao cantor, através de sua gravadora, em lembrar aqueles outros compositores que acreditaram nele no início, entregando as suas melhores músicas para que ele as gravasse.... Essas músicas não pertencem ao passado nem ao presente: de San Remo aos tempos da Jovem Guarda, elas são e serão sempre integrantes da história musical deste talento completo, dessa força mágica, que se chama Roberto Carlos.

CheckBox Texto publicado na contracapa do Lp "San Remo 1968"
FONTE:PORTAL CLUBE DO REI.https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=2556864432713944326#editor/target=post;postID=813144432581742847

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